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As temáticas ligadas aos recursos hídricos, à gestão das enchentes e ao panorama das mudanças climáticas tiveram grande repercussão no ciclo de palestras “O Futuro Sustentável”, um dos eventos da Coppe/UFRJ na Rio +20. Debates sobre a boa gestão das águas da chuva, do mar e dos rios, para que de fato possamos construir um mundo sustentável, foram transmitidos ao vivo pelo twitter @CoppeUFRJ  durante o ciclo de conferências. Veja alguns dos destaques do que foi discutido pelos conferencistas nos dias em que a área de clima e oceanos foi o tema central: (mais…)

JUN

24

Por: comentário 1

Ele foi um dos primeiros a usar o conceito de ecodesenvolvimento. Já nos anos 70, o professor Ignacy Sachs defendia um crescimento econômico associado a um desenvolvimento social e respeito ao meio-ambiente. Nascido na Polônia, em 1927, fugiu com a família judia para o Brasil, para escapar do domínio nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Como especialista em planejamento e economia de países subdesenvolvidos, Ignacy Sachs foi para a Índia, trabalhar no serviço econômico da Embaixada Polonesa.  Finalmente, em 1968, Sachs se naturalizou francês e se tornou professor da École des Hautes Études en Sciences Sociales da França, onde dá aulas até hoje.

Autor ou organizador de cerca de 40 livros sobre economia e meio ambiente, seu trabalho o levou a participar dos grandes encontros internacionais sobre meio-ambiente e desenvolvimento sustentável dos últimos 40 anos, como em Estocolmo, em 1972, e a Rio 92. Agora, 20 anos depois, ele volta ao Brasil para participar de debates na Rio+20. Na palestra “O início de uma nova era: O Antropoceno”, que proferiu no auditório da Coppe/UFRJ, Sachs defendeu que estamos em uma nova era geológica, na qual as atividades humanas  têm um impacto global significativo no clima e nos ecossistemas da Terra. Após explicar seu novo conceito, que coloca o homem como principal agente de mudanças da contemporaneidade, o professor conversou com a equipe da Coppe:

 

Coppe – O que é mais fundamental para o desenvolvimento sustentável?

Sachs – Temos que aprender a caminhar apoiados em três pés: objetivos sociais, condicionalidade ambiental e a viabilidade econômica. Não podemos discutir o ambiente e esquecer que somos 7 bilhões de seres humanos no planeta. Ao mesmo tempo, não podemos discutir o social e político, esquecendo que somos passageiros e tripulantes de uma pequena nave espacial chamada Terra. Estamos num ponto chave da longa história da coabitação entre o homem e a nave-mãe – se falharmos, a aventura humana chegará ao fim.

 

Coppe – Para o senhor, qual a relevância dos projetos da Coppe para a construção de um mundo mais sustentável?

Sachs – As pesquisas de geração de energia renováveis feitas pela Coppe  têm uma importância enorme para o futuro, como por exemplo, o projeto para obter energia dos oceanos. Os trabalhos sobre outras fontes de energia não são mais sonhos e o Brasil ainda tem muito a aproveitar das energias verdes. Temos que abrir o leque da matriz energética, sobretudo o das renováveis.

 

Coppe – Qual o papel da ciência no mundo atual?

Sachs – Temos que reduzir aos poucos, sem traumas, nossa dependência do petróleo, até porque ele é um recurso finito, além de ser muito poluente. A ciência e as inovações têm papel fundamental nessa mudança de paradigma. A crise financeira não vai ser um gargalo para que novas ideias e tecnologias surjam. O problema é a falta de projetos para novas soluções. O Brasil tem condições excepcionais para se tornar um interlocutor internacional sobre as energias limpas.

 

Coppe – Em sua opinião, o quanto o debate entre as nações é importante para a chamada economia verde?          

 

 Sachs – As discussões regionais são importantes para troca de experiências. Brasil e Índia possuem alguns biomas parecidos e poderiam debater soluções com outros países com ecossistemas parecidos. Esses dois países de história parecida têm muito o que compartilhar, e ainda tem a África no meio. Não estou defendendo uma revolta do sul contra o Norte, mas uma interlocução científica mais forte entre esses países com histórico semelhante. Há espaço para o diálogo dos países do Sul com os Norte e entre si. Como disse Louis-Joseph Lebret, vamos fundar “a sociedade do ser na partilha equitativa do ter”.

 

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Quer saber mais sobre os projetos da Coppe para buscar alternativas de energia limpa? Clique aqui 

Assista também ao vídeo sobre a Usina de Ondas, projeto elogiado pelo professor Ignacy Sachs

JUN

22

Por: Profº Márcio D'Agostosem comentários

O transporte responde mundialmente pelo consumo de mais de 50% dos derivados de petróleo. No Brasil, no ano de 2009, 87% das viagens realizadas por modos coletivos dependeram dos ônibus movidos a óleo diesel de petróleo, responsáveis pela emissão de 27,8 milhões de toneladas de CO2. Visando minimizar os impactos ambientais e ampliar a segurança energética da nação, o país avança na busca por novas alternativas energéticas e tecnológicas aplicadas aos sistemas de propulsão de veículos rodoviários. (mais…)

MAI

30

Por: Márcio D’Agosto e Suzana Kahn Ribeiro comentários 8


No Brasil, entre 1996 e 2005, o consumo de energia para transportes cresceu 17%, dos quais o transporte rodoviário respondeu por cerca de 90%, envolvendo derivados de petróleo (81%), gás natural comprimido (4%) e etanol de cana-de-açúcar (15%), alternativas amplamente disponíveis. Porém, a crescente consciência social quanto ao desenvolvimento sustentável implica a promoção da escolha dessas alternativas considerando a eficiência energética de toda a cadeia de suprimento, e não apenas o uso final, como é prática corrente.

Assim, tornou-se prática nos países desenvolvidos a aplicação da análise de ciclo de vida (ACV), técnica capaz de considerar insumos e impactos ambientais ao longo de todo o ciclo de vida das alternativas de fontes de energia para transporte.

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MAI

18

Por: Alexandre Szklosem comentários

A preocupação com os recursos energéticos fósseis sempre focou a escassez. Recursos fósseis são considerados não renováveis na escala de tempo humana, mas não são necessariamente exauríveis. O carvão é a fonte primária motor do século 19, de tal forma que W.Jevons anunciava,em 1865, o fim da Revolução Industrial inglesa em função do seu esgotamento. Isso não aconteceu, assim como não ocorreu o esgotamento das reservas de petróleo, previsto, em 1972, pelo Clube de Roma e corroborado por King Hubbert,ao quase acertar o pico da produção de petróleo convencional dos Estados Unidos. Não cabe aqui explicar porque essas fontes fósseis ainda têm reservas com perspectivas de aumento. Importa dizer que o estoque finito de hidrocarbonetos fósseis ainda não é a limitação para seu uso. Mas existem outros limitantes: entre eles, questões geopolíticas e, sobretudo, o desafio de garantir o acesso de todos a serviços energéticos de qualidade, sem comprometer o meio ambiente.
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