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Laboratório testa opções para substituir diesel mineral nos ônibus

A maior parte da energia consumida no setor de transportes no Brasil provém do diesel derivado de petróleo – combustível poluente, não renovável e para o qual o país depende de importações. Nas grandes cidades brasileiras, o transporte é a mais importante fonte de emissões de carbono. No Laboratório de Transporte de Carga da Coppe, dois projetos em andamento buscam alternativas para reduzir o uso de diesel mineral nos ônibus.

Desde fevereiro de 2012, 20 ônibus trafegam pelas ruas do Rio abastecidos com uma mistura de 30% de diesel vegetal, produzido a partir da cana-de-açúcar, e 70% de diesel mineral. Até fevereiro de 2013, eles serão monitorados pelo Laboratório de Transporte de Carga, contratado pela Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) para fazer os testes. Serão analisados o desempenho dos ônibus, o volume de combustível consumido por quilômetro rodado e a emissão de material particulado. O objetivo é avaliar a viabilidade econômica e as vantagens ambientais da mistura.

“A expectativa é que o diesel de cana apresente o mesmo desempenho em comparação ao derivado de petróleo e que o volume consumido diminua, assim como a emissão de fumaça”, explica o coordenador do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe, Márcio D’Agosto. Contra a disseminação do combustível renovável pesa o seu custo. O preço do litro do diesel de cana chega a ser cinco a seis vezes mais alto do que o de origem fóssil. “Vamos verificar os resultados e sinalizar se essa é, realmente, uma alternativa”, diz D’Agosto.

Outro projeto em andamento no laboratório da Coppe estuda a viabilidade de um sistema diesel-gás desenvolvido pela empresa alemã Bosch para uso em ônibus urbanos. O equipamento permite o consumo conjunto de gás natural e óleo diesel, na proporção de 70% e 30%, respectivamente. O sucesso do equipamento significaria uma solução para o destino do gás natural produzido em abundância na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, e ainda resultaria em ganhos ambientais. Financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), o projeto é realizado em parceria com a empresa MAN Latin America.

A tecnologia permite a adição, no motor do veículo, de ar e gás ao diesel. A diferença em relação ao processo dos motores convencionais é o volume de diesel consumido. Há a substituição, em conteúdo energético, de 70% do volume do diesel por gás, processo controlado por um sistema eletrônico.

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