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PROJETOS E PESQUISAS
Água de mais, água de menos Projeto Iguaçu
Soluções inovadoras para o drama das enchentes

Uma intensa cooperação da Coppe com o governo do Estado do Rio de Janeiro resultou no mais abrangente e criativo projeto para lidar de maneira adaptativa com o fenômeno das enchentes na Baixada Fluminense. Por sua morfologia e pela ocupação desordenada das margens de rios e encostas por moradias de baixa renda, sem esgotamento sanitário e coleta de lixo, a região é especialmente suscetível aos efeitos das chuvas intensas de verão.

Enchentes e inundações frequentes contribuem para manter no empobrecimento crônico as famílias que, a cada verão, veem levados pelas águas os poucos bens acumulados durante o ano. Tornam-se incapazes de poupar e a cada ano ficam mais pobres.

O panorama na Baixada só começou a mudar em 2007, com o Projeto de Controle de Inundações e Recuperação Ambiental das Bacias dos Rios Iguaçu/Botas e Sarapuí – mais conhecido como Projeto Iguaçu. Financiado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, abrange uma área de 726 quilômetros quadrados, onde vivem 2,5 milhões de pessoas em seis municípios – Nova Iguaçu, Mesquita, Belford Roxo, Nilópolis, São João de Meriti e Duque de Caxias.

O projeto é uma coleção de obras variadas, que incluem drenagem, barragem, reflorestamento de encostas, recuperação de nascentes e uma criativa urbanização das margens dos rios: avenidas-canal e parques de lazer para desestimular a ocupação das faixas marginais e, nos trechos mais sujeitos a alagamentos, parques inundáveis. Tais parques são espaços que, nos dias de tempo bom, funcionam como áreas de lazer. Nos dias de chuva forte, ficam mesmo inundados, como quer a natureza.

Os primeiros resultados do projeto já são visíveis para quem percorre os bairros mais carentes da região. Como não ocorreram enchentes nos últimos verões, graças à drenagem emergencial dos rios principais, os moradores já recuperaram sua capacidade de poupança e começam a investir em benfeitorias nas casas e em pequenos negócios, como bares e mercadinhos. Rompe-se, assim, o ciclo do empobrecimento contínuo.

O professor Paulo Canedo, do Laboratório de Recursos Hídricos da Coppe e coordenador técnico do Projeto Iguaçu, tem especial orgulho desse resultado. “Inventamos, de brincadeira, um indicador de prosperidade facilmente visível: chama-se ‘tijolo vermelho’. Quando os moradores estão num ciclo de empobrecimento, as casas têm um tom marrom escuro, porque não têm reboco e os tijolos são velhos. Quando começa a sobrar algum dinheiro, o pessoal começa a investir: compra tijolo novo e inicia reformas e ampliações. Vão aparecendo aquelas paredes vermelhas que saltam aos olhos”, diz ele.

O Projeto Iguaçu se beneficia de uma inovadora tecnologia, desenvolvida no laboratório de Canedo, para definir as áreas de intervenção e os usos a serem dados a cada uma. Trata-se de um novo modelo para fazer a simulação do fluxo das águas quando o rio transborda. Ao contrário dos modelos convencionais, que veem a área de inundação como uma simples bacia de acumulação (a água transborda, acumula-se e depois volta ao leito do rio), a ferramenta da Coppe a vê como uma bacia de fluxo dinâmico. Isso significa que o modelo reproduz mais fielmente a complexidade do que acontece na realidade: a água não reflui toda para onde estava antes. Parte evapora, parte se infiltra no solo e parte volta ao rio, mas não necessariamente pelo mesmo ponto de onde saiu.

O modelo de fluxo dinâmico permitiu formatar com mais precisão o alcance e os tipos de intervenções e obras do Projeto Iguaçu. Assim, espera-se que as soluções já criadas sejam mais duradouras e eficientes, economizando recursos.

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