Mais um passo importante foi dado, nesta segunda-feira, dia 4 de junho, em direção à transformação do Rio de Janeiro em um centro de referência na área de pesquisas de tecnologias para o fomento da chamada economia verde. Como parte integrante da programação pré-Rio+20, a Coppe/UFRJ inaugurou, em cerimônia realizada na Cidade Universitária, o Instituto Global para Tecnologias Verdes e Emprego – o GIGTech, que será fonte de subsídio técnico para o governo brasileiro e os programas da Organização das Nações Unidas (ONU). “Esta iniciativa integrará ações e atividades desenvolvidas na Coppe voltadas ao desenvolvimento sustentável e à inclusão social. É mais um fruto da parceria entre a Universidade e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), da ONU, e o governo do estado”, explicou o diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, na abertura do evento.

A possibilidade de usar a tecnologia como ferramenta para garantir a sustentabilidade, representada pela inauguração do GIGTech, foi elogiada pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. “Uma das coisas mais emocionantes desta iniciativa é o fato de possibilitar o diálogo entre os vários “Brasis”. O Brasil não conhece a si mesmo e a Coppe/UFRJ , em parceria com o Pnuma, poderá ampliar os recursos nesta direção”, observou. Neste cenário, a ministra acredita que a Rio + 20 traz a economia verde para o debate, aproximando-a do brasileiro comum. “A missão desta conferência é muito maior do que se pensa. Desta vez, será discutido o pilar econômico, algo que tem que ser envolvido para que a questão da sustentabilidade avance. Não há discussão sobre este tema que separe o social e o ambiental da questão econômica”.

Para o subsecretário geral das Nações Unidas e diretor executivo do Pnuma, Achim Steiner, o próprio nome do Instituto já diz ao que veio. Sua ênfase em tecnologia limpa e emprego mostra que a Coppe/UFRJ e o governo do Estado compartilham da visão de que a economia verde aumenta o crescimento e a renda.  O fato pode ser comprovado por meio do novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com o Pnuma, a Organização Internacional de Empregadores (OIE) e o Congresso Internacional de Sindicatos (CIS), lançado há cinco dias em Genebra. Intitulado “Trabalhando para o Desenvolvimento Sustentável: Oportunidades de Trabalho decente e Inclusão social em uma economia verde”, o documento sugere que uma economia mais verde poderia gerar de 15 a 60 milhões de novos empregos e tirar milhões de pessoas da pobreza.

A economia verde também foi mencionada pelo secretário de Estado do Ambiente do Rio de Janeiro, Carlos Minc. “Temos que ter uma mudança de comportamento a partir da Rio + 20. A criação do GIGTech dará grande contribuição para que cada vez mais a governança global tenha subsídio tecnológico. Esta integração a uma rede mundial é de suma importância. Vamos fincar uma âncora do Pnuma no Rio de Janeiro”, disse. O Instituto será instalado em um prédio da Coppe, no Parque Tecnológico da UFRJ. No local, também ficarão o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) e o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC), ambos já sediados na Coppe e dedicados a estudos sobre clima e aquecimento global. Os laboratórios da Universidade fornecerão infraestrutura técnica necessária para as pesquisas e estudos sobre os temas priorizados pelo instituto.

O papel das universidades como modelos para o desenvolvimento sustentável foi frisado pelo chefe da Divisão de Política Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Ministério das Relações Exteriores, embaixador André Lago, e pelo reitor da UFRJ, Carlos Antônio Levi. “O compromisso das universidades em usar seus campi para a implementação e internalização de projetos demonstra a importância que vem sendo dada a esta questão. Este é o melhor caminho, visto seu efeito multiplicador”, afirmou.