O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, mostrou um cenário bastante positivo para o país no uso das energias alternativas, durante a conferência “O Futuro Sustentável – Tecnologia e inovação para uma economia verde e a erradicação da pobreza”, realizada na Coppe/UFRJ. Segundo ele, a tendência é de que nos próximos dez anos a participação de energia alternativa na matriz energética brasileira passe de 8% para 16%.

“ A energia solar, por exemplo, deve ter seu custo reduzido em 50% nos próximos cinco anos e a tendência e o valor continuar caindo. Em algumas regiões a energia solar já é bastante competitiva e o Brasil tem meios para incentivar ainda mais o uso com redução de juros e melhores condições de financiamento “, afirmou Tolmasquim.

Ainda de acordo com o presidente da EPE,  a matriz energética do Brasil é um exemplo para o mundo. Ele afirma que apesar de o país ser a sexta econômica do mundo, lança apenas 0,3% de gases de efeito estufa na atmosfera.

O painel foi mediado pelo diretor da Coppe, Luiz Pinguelli Rosa que, em sua apresentação, mostrou um comparativo entre os diversos tipos de fontes energia, com seus prós e contras, desde custo até impactos ambientais e sociais.

O professor do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, Alexandre Szklo, a solução para o consumo consciente e eficaz de energia no país está no uso integrado de diferentes tipos de energia.

Durante a conferência, Alexandre Szklo apresentou dados de um estudo acadêmico que avalia as diferentes fontes energéticas e projeta a possibilidade de que elas sejam utilizadas de forma integrada.

“A integração é importante para o futuro sustentável do Brasil. Não é razoável que diante do potencial energético do Brasil, os investimentos sejam feitos em um único tipo de energia. Temos que começar a pensar no que podemos fazer diferente. Os estudos mostram alguns casos onde é possível essa integração “, destacou o pesquisador.

Alexandre Szklo chamou ainda a atenção para uma questão que ele considerou um mito: a escassez nos próximos 20 anos combustíveis fósseis.

“Ainda há muito há ser explorado. Concentrar o discurso na escassez dos recursos fósseis é perder o foco do problema central. O que devemos debater na Rio+20 é o uso eficiente desses recursos, dos derivados do petróleo. O Brasil precisa urgentemente encontrar medidas mais sustentáveis para o transporte de carga e pessoas”.

O uso de energia nuclear foi um ponto polêmico do debate. Para Tolmasquim a usina nuclear não pode ser descartada. Contudo, ele afirmou que o Brasil, ao contrário de outros países, tem outras fontes de energia e não tem necessidade de lançar mão desse recurso pelo menos até 2025.

O jornalista Washington Novaes disse ser contra a energia nuclear e lembrou acidentes ocorridos no mundo como Chernobyl.  Ele destaca que o Brasil tem alternativas de energia mais viáveis.

“Não há nenhum país com vantagens como o Brasil no que se refere a possibilidades energéticas. O país precisa aproveitar isso de uma forma melhor. O mundo vive uma fase de crise dos recursos naturais e o Brasil tem muitos”.