Ao lembrarem que os pobres e os grupos étnicos são os que sofrem os maiores impactos ambientais, os debatedores do seminário “O futuro sustentável – Tecnologia e inovação para uma economia verde e a erradicação da pobreza” defenderam um modelo de desenvolvimento  mais sustentável e humano, nesta quinta-feira, no Rio de Janeiro.

O professor Sidney Lianza, coordenador de Extensão do Centro de Tecnologia da UFRJ, destacou que a discussão sobre a pobreza dominará os embates entre a Cúpula dos Povos e os representantes dos governos na Rio+20: “É preciso aprofundar a discussão, não se pode apenas passar uma tinta verde na economia. O capitalismo produziu um mundo insustentável.”

O presidente da Rede Nacional de Mobilização Social, André Spitz, disse que os pobres estão mais expostos aos eventos climáticos extremos, em todo o mundo, e que é preciso encontrar soluções. “No Brasil, 40 milhões de pessoas saíram da linha de pobreza, nas últimas décadas, mas continuam vulneráveis. Não podemos deixar que elas voltem à condição anterior, ao mesmo tempo que ainda temos que tirar outras 36 milhões que vivem abaixo dessa linha. Hoje, 50% dos indígenas estão nessa situação”, ressaltou Sptiz, que coordena o Laboratório Herbert de Souza de Tecnologias Sociais, da Coppe/UFRJ. Durante a Rio+20, a Rede e a universidade lançarão um banco de dados para ajudar populações mais pobres a se protegerem das mudanças do clima.

“O desafio é sair do discurso. O capitalismo tornou a natureza um recurso com o objetivo do lucro rápido, impactando tudo. A natureza é finita, a força de trabalho não. Mas não se pode reduzir o problema ao âmbito econômico”, disse Ana Fani Carlo, professora titular do Departamento de Geografia da USP. Mediadora da mesa, a geógrafa lembrou que a erradicação da pobreza já era um dos temas da Rio 92 e continuará na pauta por muitos anos.

Para Gonçalo Guimarães, coordenador da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares da Coppe/RJ, é preciso repensar o padrão de consumo. Gonçalo, que desenvolve projeto social de reciclagem de lixo eletrônico, criticou a cultura do descartável. “A lógica dominante é do descarte. Também é preciso valorizar as cooperativas de reciclagem, mudar a visão de que a doação de recicláveis é um favor aos recicladores.”