18 de junho //
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A Coppe/UFRJ vai inaugurar até o fim deste ano um laboratório de bioetanol na Cidade Universitária para produzir etanol de segunda geração ou 2G, a partir do aproveitamento de resíduos da agroindústria da cana-de-açúcar e também do milho e do trigo. A produção será viabilizada a partir de uma tecnologia nascente baseada na hidrólise enzimática da celulose contida nesses resíduos. O projeto foi apresentado nesta segunda-feira, dia 18, na conferência “O futuro sustentável”, na Coppe/UFRJ, pela coordenadora do Laboratório de Tecnologia Enzimática do Instituto de Química da UFRJ, Elba Bon.

“Hoje, há mais de mil pesquisadores trabalhando com etanol e a UFRJ lidera esse processo. O potencial econômico dessa tecnologia é muito grande. São 28 milhões de hectares plantados de milho, cana-de-açúcar e arroz, além de pasto, que geram anualmente quase 600 milhões de toneladas de resíduos”.

Segundo Elba, é possível dobrar a produção brasileira de etanol, sem aumentar a atual área plantada, não competindo com a produção de alimentos ou desmatando florestas para abrir novas fronteiras agrícolas. Maior produtor mundial de combustível a partir da cana, com 24 bilhões de litros por ano, o país aproveita apenas um terço da energia contida na planta.
Além da produção mais sustentável do etanol, a conferência abordou com o tema “Biocombustível e transporte: veículos e fontes do futuro” dois projetos de transporte coletivo com emissão zero: o ônibus a hidrogênio e o Maglev-Cobra, trem de levitação magnética.  Os projetos da Coppe/UFRJ são alternativas modernas. “Nas megacidades, os problemas de locomoção e de poluição atmosférica só tendem a crescer. O uso de carros, na maioria das vezes por uma só pessoa, é de uma ineficiência enorme”, criticou o professor Paulo Emílio de Miranda, coordenador do Laboratório de Hidrogênio.

Segundo Paulo Emílio, os ônibus movidos a hidrogênio, que não emitem gases poluentes, podem estar circulando pelas ruas do Rio de Janeiro a partir da Copa de 2014. Para isso, já foi assinado um convênio entre a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), o governo do estado do Rio, a Prefeitura do Rio, a Coppe, o banco Santander e a Tracel, empresa que vai produzir os veículos.

Já o veículo de levitação magnética une inovação e sustentabilidade, na avaliação do professor Richard Stephan, coordenador do Maglev-Cobra. “É um veículo dos sonhos que está saindo do papel, na China, Japão, Coreia, Alemanha, EUA e Brasil. A levitação magnética aos poucos vai virando realidade. Acho que no futuro não teremos mais veículos com rodas sobre trilhos”, disse Richard.