Os planos setoriais para mitigação e adaptação às mudanças climáticas já têm data para entrarem em consulta pública: de 15 de julho a 15 de agosto de 2012. O anúncio foi feito pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, na última sexta-feira, dia 15, na reunião “Rio+20: o Brasil no cenário mundial de mitigação de mudanças climáticas”, promovido pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC). O evento teve como mediador o diretor da Coppe/UFRJ e secretário executivo do FBMC, Luiz Pinguelli Rosa.

O Fórum contribuiu para a elaboração do Plano reunindo as colaborações de diversos setores da sociedade.  Outra atribuição do FBMC será o planejamento e execução da consulta pública que ocorre em todo o território nacional.

“Os documentos reunidos pelo Fórum foram fundamentais para a formação de uma base sólida para o desenvolvimento sustentável. Temos que ter o controle científico sobre a questão da sustentabilidade e do desenvolvimento social. Não podemos deixar que correntes com interesses específicos tomem o espaço da ciência neste debate”, afirmou Izabella Teixeira.

O secretário executivo do FBMC, Luiz Pinguelli Rosa, enfatizou o papel dos integrantes do Fórum.  “Trouxemos a visão da sociedade. O que precisamos agora é de metas mais ambiciosas e ter a ciência à frente das politicas de conservação do meio ambiente”, disse Pinguelli.

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Carlos Nobre, alertou que o papel da ciência não está muito claro no documento da Rio+20, o que pode ser perigoso, segundo ele. “Lembro da década de 60 e 70, quando cientistas já mostravam o mal que o tabaco era capaz de fazer. Interesses econômicos conseguiram remediar o que a ciência alertava. Agora o problema é que, ao adiar as medidas apontadas pela ciência,  estamos colocando em risco o próprio planeta”, argumentou Nobre.

O professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasilia (UnB), Eduardo Viola, chamou a atenção para outro risco, caso o Brasil não tenha uma visão mais ambiciosa na questão da sustentabilidade: “O mundo não é de quem tem os recursos naturais. O mundo é de quem tem educação e sabe utilizar esses recursos naturais.”

Participaram ainda da mesa redonda promovida pelo Fórum o professor da USP, José Goldemberg; o secretário de Politicas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Philipp Hauser, e o economista Sérgio Besserman.