Maglev-Cobra, H2+2 e etanol 2G. Os nomes podem soar estranhos, mas estes   três projetos da Coppe/UFRJ apresentados na Rio+20 prometem revolucionar os transportes coletivos e o abastecimento de veículos, com redução da emissão de poluentes no ar. A viabilidade do trem que flutua com imãs, do ônibus a hidrogênio e do álcool de segunda geração foi debatida no seminário O futuro sustentável – Tecnologia e inovação para uma economia verde e a erradicação da pobreza, nesta segunda-feira, na Cidade Universitária. O ganho ambiental dos projetos foi defendido pelos pesquisadores.

“A Rio+20 serve para mostrar a importância da sustentabilidade de projetos como estes. As pessoas sofrem muito com os serviços de transporte, no tráfego congestionado das megacidades, e o Maglev-Cobra surge como alternativa, apostando na levitação magnética”, disse o professor Richard Stephan, coordenador do Laboratório de Aplicações de Supercondutores do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ.

“A estabilidade do veículo é uma das vantagens e, com módulos menores, ele poderá fazer curvas mais fechadas. Sem falar que, ao deslizar em passarelas suspensas, ele não provocará obras impactantes e dispendiosas como as dos metrôs e dos trens convencionais.”

Ao citar que a poluição atmosférica produzida pelos veículos é um problema crescente nas regiões metropolitanas brasileiras, o professor Paulo Emílio de Miranda, coordenador do Laboratório de Hidrogênio da Coppe/UFRJ, defendeu mais investimentos em veículos não poluentes, como o H2+2, um ônibus híbrido a hidrogênio com tração elétrica: “O petróleo é precioso demais para ser queimado nos carros. Só 0,4% da eletricidade produzida é usada no transporte.” O ônibus roda cem quilômetros com cinco quilos de hidrogênio e emissão zero de poluentes, além de ser silencioso.

Segundo o professor, o país avança na diversificação das fontes de energia, mas pode mais. “Hoje, 47,5% da matriz energética brasileira vêm de fontes renováveis, mas com pouco hidrogênio. Com o potencial da transformação de biomassa, o país poderá ser o maior produtor mundial de hidrogênio”, enfatizou.

A produção de etanol no Brasil também pode crescer e garantir o abastecimento interno, a partir do aproveitamento de resíduos da agroindústria que são desperdiçados. O projeto do etanol de segunda geração ou 2G,  que aproveita o bagaço e parte da palha da cana que hoje é queimada, foi apresentado pela coordenadora do Laboratório de Tecnologia Enzimática do Instituto de Química, Elba Bon. Maior produtor mundial de combustível a partir da cana, com 24 bilhões de litros por ano, o país aproveita apenas um terço do potencial energético da planta. Para investir na pesquisa e melhorar esse rendimento, a UFRJ abrirá em breve um laboratório de bioetanol na Cidade Universitária.

“Hoje, há mais de mil pesquisadores trabalhando com etanol e a UFRJ lidera esse estudo. Há muito a ser feito para a melhoria do processo, que colaborará com a redução de emissões ao usar mais a palha da cana, dobrando a produção brasileira sem aumentar a atual área plantada e evitando desmatamento”, disse a professora.