18 de junho //
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A criação de um fundo de desenvolvimento internacional, composto por 1% do PIB dos países ricos, taxação das operações financeiras, impostos sobre emissão de carbono e pedágios de 1% sobre passagens de aviões e fretes de navios. Essa é a proposta do economista Ignacy Sachs, professor titular da Escola de Estudos Avançados em Ciências Socais de Paris, para um desenvolvimento socialmente includente e ambientalmente consistente. A ideia foi apresentada durante a conferência “O início de uma nova era: o Antropoceno”, na tarde desta segunda-feira, na Cidade Universitária.

Criador do conceito de ecodesenvolvimento na década de 70, que depois deu origem à expressão “desenvolvimento sustentável”, Sachs defende que os recursos desse fundo, que poderiam ser administrados por um órgão das Nações Unidas, sejam usados para a aplicação de inovações tecnológicas para um melhor uso dos recursos renováveis.

“Os mercados deixados a si mesmos têm a vista curta e a pele grossa, são insensíveis e não trabalham com visão de longo prazo. Por isso, é preciso criar um fundo para colocar algumas coisas em prática dentro de planos que reduzam as diferenças abissais existentes no mundo, incluindo conceitos como a pegada ecológica e o paradigma da geração de energia”, disse Sachs.

O professor sugeriu que os países criem planos nacionais com períodos de 15 a 20 anos, que inicialmente visem a reduzir as diferenças sociais, usando melhor os recursos renováveis. E deles se forme um plano mundial, que, numa segunda etapa, teria como meta desacelerar e reduzir a produção de bens materiais.

“Nessa era do Antropoceno, percebemos que os homens têm a capacidade de destruir a vida na Terra, seja por uma guerra nuclear, pelo mau uso dos recursos naturais, ou através de uma economia predatória. Em vez de aprendizes de feiticeiros, que tentam conter os problemas desesperadamente, temos de agir como geonautas, assumindo nossas responsabilidades sobre o futuro do planeta”, afirmou o economista.

Sachs acredita que o Brasil e a Índia devem liderar as mudanças nos países em desenvolvimento. Para isso, propôs que sejam feitos mais acordos de cooperação técnica e científica entre os dois países e que as novas tecnologias, como aquelas apresentadas pela Coppe/UFRJ para um amplo uso de energias renováveis, a exemplo da geração de energia através das ondas do mar, possam ser utilizadas também nos países mais pobres, como os do continente africano.

Seja qual for o resultado das discussões na Rio+20, o professor defende que a melhoria das condições de vida das gerações presentes jamais deixe de levar em conta o compromisso ético com as gerações futuras.