O futuro do planeta e das próximas gerações depende do desenvolvimento sustentável e de tecnologias que utilizem de maneira eficiente os recursos renováveis. Para o economista Ignacy Sachs, professor titular da Escola de Estudos Avançados em Ciências Sociais de Paris, inovações tecnológicas como as apresentadas pela Coppe/UFRJ durante a Rio+20 seriam fundamentais. Ele esteve na tarde desta segunda-feira na Cidade Universitária, onde proferiu a palestra “O início de uma nova era: o Antropoceno.

Sachs propõe que sejam feitos mais acordos de cooperação técnica e científica entre o Brasil e a Índia, que poderiam “abrir alas” para as mudanças nos países em desenvolvimento.

“É preciso haver um amplo uso de energias renováveis, a exemplo da geração de energia nos oceanos através das ondas, como a Coppe/UFRJ está apresentando, e de outras fontes ainda pouco utilizadas, como as algas”, disse o economista.

O professor lembrou que há uma longa história de uso predatório dos recursos renováveis, que desrespeitam as condições de renovabilidade, e esses recursos acabam se esgotando.

“A gente precisa administrar melhor os recursos não renováveis com uso inteligente e sem desperdício, substituindo-os na medida do possível por recursos renováveis, com novas formas de aproveitamento dos mesmos e dando condições para que eles continuem se renovando”, afirmou Sachs.

Para financiar essas inovações tecnológicas, o professor sugeriu que seja criado um fundo de desenvolvimento internacional, que seria composto por 1% do PIB dos países ricos, taxação das operações financeiras, impostos sobre emissão de carbono e pedágios de 1% sobre passagens de aviões e fretes de navios. Os recursos desse fundo poderiam ser administrados por um órgão das Nações Unidas e usados para a aplicação de inovações tecnológicas para um melhor uso dos recursos renováveis.

“Os mercados deixados a si mesmos têm a vista curta e a pele grossa, são insensíveis e não trabalham com visão de longo prazo. Por isso, é preciso criar um fundo para colocar algumas coisas em prática dentro de planos que reduzam as diferenças abissais existentes no mundo, incluindo conceitos como a pegada ecológica e o paradigma da geração de energia”, disse Sachs.

O professor sugeriu que os países criem planos nacionais com períodos de 15 a 20 anos, que inicialmente visem a reduzir as diferenças sociais, usando melhor os recursos renováveis. E deles se forme um plano mundial, que, numa segunda etapa, teria como meta desacelerar e reduzir a produção de bens materiais.

“Nessa era do Antropoceno, percebemos que os homens têm a capacidade de destruir a vida na Terra, seja por uma guerra nuclear, pelo mau uso dos recursos naturais, através de uma economia predatória. Em vez de aprendizes de feiticeiros, que tentam conter os problemas desesperadamente, temos de agir como geonautas, assumindo nossas responsabilidades sobre o futuro do planeta”, considerou o economista.

Sachs espera que o Brasil planeje seu desenvolvimento com ações adequadas a cada um de seus biomas, como a floresta amazônica, o semiárido, o cerrado, utilizando terra e água. Ele acredita que é preciso incentivar uma piscicultura intensiva nos mais de oito mil quilômetros de litoral brasileiro, lagos, rios, com vários cultivos e produções no entorno, para que se dependa menos de uma pecuária extensiva.