19 de junho //
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Aliar desenvolvimento econômico e sustentabilidade é o maior desafio do Brasil e da China, dois gigantes em franco crescimento, que se deparam com a necessidade cada vez maior de investir em economia verde. Nesta direção, ambos precisam tornar-se potências tecnológicas, o que para o Brasil é uma realidade mais distante em função da falta de investimento em educação. “É preciso inovar, para inovar é preciso ciência e para termos ciência é preciso ter educação. Neste sentido, temos que seguir o exemplo dos nossos amigos chineses”, disse Álvaro Prata, secretário da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec), no encontro “Brasil e China: os Grandes Desafios”, promovido pela Coppe/UFRJ, hoje, dia 19 de junho, na Cidade Universitária, durante a Rio + 20.

No evento, aberto pelo vice-diretor da Coppe/ UFRJ, Aquilino Senra, Prata afirmou que “no Brasil, apenas 14% dos jovens entre 16 e 24 anos estão na universidade. Deste total, mais da metade estão fazendo cursos como pedagogia, administração etc. Apenas 6% dos formandos brasileiros estão na cadeira de engenharia. Na China 30% dos formandos são engenheiros. Precisamos muito deste tipo de profissional para desenvolver tecnologia e pular definitivamente para o grupo de países em desenvolvimento”.

Na China, o investimento tem sido grande na busca pela alfabetização da população. Segundo o vice-ministro de Ciência e Tecnologia da China, Wang Weizhing, a prioridade chinesa agora é a sustentabilidade, fato já confirmado com o ingresso daquele país na Agenda 21. “Vamos buscar a economia verde, não temos outro caminho”, assumiu. Porém, Weizhing reivindica metas diferenciadas para países em desenvolvimento, como Brasil e China. “Nossos países podem e devem avançar conjuntamente, vivemos momentos semelhantes e podemos ter mais parcerias em diversas áreas”, disse o representante do governo chinês.

Outro gargalo brasileiro é falta de tradição empresarial de investir em novas tecnologias. “O Brasil tem tecnologia de ponta em três áreas importantes e difíceis: produção de petróleo e gás, produção de aviões e nos agronegócios. Mas, nesses casos, o governo teve papel decisivo. Os empresários brasileiros não arriscam investir por conta própria em novas tecnologias. Os programas de subsídio do governo são pouquíssimo utilizados porque a aprovação dos recursos depende de análises fiscais que, por vezes, não interessam às empresas. Apenas 620 empresas utilizam atualmente o fundo que o ministério destina a novas tecnologias”, explicou o secretário.

Este é outro ponto em que a China está à frente dos brasileiros. Os empresários chineses investem em novas tecnologias com o apoio do governo. Por outro lado, para Adriano Proença, professor do Programa de Engenharia de Produção da Coppe/UFRJ, o exemplo da força estatal chinesa para apontar novos rumos nas inovações mais necessárias para a sociedade deve ser levado em conta. “O esforço do governo chinês no investimento de tecnologias renováveis, ao fazer muito bem à ponte entre universidade e setor produtivo, é uma prova que, depois do Lehman Brothers, o capitalismo está sendo reformulado”, afirmou Proença.