Por: Profº Márcio D'Agostosem comentários

Em 2010, o Brasil gerou cerca de 60,9 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos, o que representa 378 quilos por habitante ao ano. Desse total, 42% foram destinados para lixões ou aterros controlados, ocasionando problemas à sociedade e ao meio ambiente.

Parte desse resíduo poderia ser reciclada, uma vez que materiais como papelão, papel, vidro e metais podem ser utilizados como matéria-prima em diferentes processos produtivos agregando valor ao resíduo e minimizando os impactos socioambientais causados pelo seu descarte inadequado.

Para tanto, é necessário realizar a separação do material reciclável por meio da coleta seletiva, um processo de gerenciamento complexo que encontra na gestão das funções logísticas primárias (transporte, estocagem e processamento do pedido) seu principal item de custo e cujo principal elemento no Brasil é a cooperativa de reciclagem.

No Brasil, apenas 8% dos municípios realizam a coleta seletiva, que, usualmente, é realizada de forma pouco racional e desorganizada. Por meio de pesquisa realizada pela Coppe, verificou-se, nas cooperativas analisadas, a existência de problemas que permeiam não apenas as funções logísticas (transporte, armazenagem e processamento de pedidos), mas também a gestão administrativa de tais funções, refletindo diretamente na execução da operação.

Em virtude dessa experiência e reconhecendo a necessidade em apoiar o desenvolvimento das cooperativas de reciclagem existentes no Rio de Janeiro, pesquisadores da Coppe  iniciaram o projeto “Modelo gerencial aplicado a cooperativas populares atuantes na coleta de resíduos”, financiado pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj). O objetivo do projeto é desenvolver um conjunto de soluções gerenciais que possam ser utilizadas no processo de coleta de resíduos por cooperativas populares no Estado do Rio de Janeiro. Assim, foi elaborado, com base em pesquisa bibliográfica e de campo, um material de apoio às cooperativas de reciclagem composto de um manual de gerenciamento e um módulo para a aplicação do minicurso, que trazem os principais conceitos de gestão em uma linguagem simples e atrativa.

O projeto prevê ainda suporte técnico-administrativo para as cooperativas interessadas, com o intuito de orientá-las no período de reestruturação de suas atividades. Primeiramente, as atividades que compõem a rotina de planejamento e de operação devem ser padronizadas, e os colaboradores devem ser orientados ou treinados (administração da rotina). Após essa estruturação, será possível planejar o crescimento da cooperativa.

Inicialmente, o material elaborado será utilizado em duas cooperativas como meio de verificação de sua eficácia, readequando-o caso seja necessário. No entanto, espera-se que, após a primeira fase, o material possa ser disponibilizado para outras dez cooperativas, abrangendo um número de mais de cem cooperados.

Visando à conscientização ambiental, o projeto possibilitou que cerca de 130 alunos de escolas públicas assistissem a palestras sobre coleta seletiva e reciclagem. Essa atividade lhes proporcionou conhecimento sobre a evolução do tratamento do lixo, os problemas causados pela disposição incorreta dos resíduos, a importância da coleta seletiva e o que pode ser feito para minimizar o problema do descarte inadequado do lixo.

* Cristiane Duarte Ribeiro de Souza, doutoranda do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, Felipe Treistman  e Maria Lívia Real de Almeida, alunos de graduação da Escola de Engenharia da UFRJ, colaboraram nesse artigo.

 

 

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