O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) apresentou durante a Rio + 20 o sumário executivo do volume 1 do primeiro Relatório de Avaliação Nacional (RAN1) sobre as Mudanças Climáticas. As projeções do relatório alertaram para a especial vulnerabilidade da Amazônia, do Nordeste e das áreas urbanas brasileiras aos efeitos do aquecimento global projetado para os próximos 90 anos e indicaram que essa vulnerabilidade está relacionada principalmente a mudanças no padrão de chuvas.

As informações, pela primeira vez organizadas por biomas, indicaram que as projeções mais preocupantes para o final do século são para a Amazônia e a Caatinga, cujas tendências de aquecimento da temperatura do ar e de diminuição nos padrões regionais de chuva poderão ser maiores que a variação média global. A tendência de redução na distribuição de chuvas e de aumento de temperaturas também aparece para o Cerrado, o Pantanal e a porção da Mata Atlântica que abrange o Nordeste.

O relatório foi apresentado nesta quinta-feira, dia 21 de junho, no auditório do estande da Coppe/UFRJ, no Parque dos Atletas, onde está sendo promovido o evento “O Futuro Sustentável”. O estande da Coppe fica na Avenida Salvador Allende, Barra da Tijuca, em frente ao Riocentro e estará aberto até domingo (24) .

Os modelos climáticos apontam tendência de aumento nas chuvas apenas para a porção Sul/Sudeste da Mata Atlântica (principalmente de São Paulo ao Rio Grande do Sul) e o Pampa. Em todos os biomas a projeção é de elevação progressiva das temperaturas, variando apenas a intensidade.

O Volume 1 do relatório trata das Bases Científicas das Mudanças Climáticas. O relatório completo, com mais dois volumes que tratarão de impactos, vulnerabilidades e adaptação, e mitigação das mudanças climáticas, ficará pronto em outubro, segundo informou a professora da Coppe e presidente do Comitê Científico do PBMC, Suzana Kahn Ribeiro.

O climatologista Tercio Ambrizzi, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (IAG/USP), coordenador do Grupo de Trabalho que produziu o documento, chamou atenção para as lacunas e incertezas que ainda permeiam as projeções sobre mudanças futuras do clima e seus impactos nos sistemas naturais e humanos. Além das incertezas inerentes aos modelos climáticos utilizados em todo o mundo para traçar cenários futuros, há, no caso brasileiro, a limitação adicional da escassez de dados observacionais.  Por isso, o documento divulgado é farto em ressalvas e alertas sobre a necessidade de ampliação da rede de observação e do número de pesquisadores nas diversas áreas do conhecimento associadas ao clima.

“O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas tem também como papel apontar as lacunas do conhecimento científico nos diversos temas. Com isso, teremos uma sinalização clara dos temas que necessitam de investimento em pesquisas no País relacionados às mudanças climáticas”, alertou a Secretária Executiva do PBMC, Andréa Santos.

Para o diretor da Coppe, professor Luiz Pinguelli Rosa, o grande mérito do Relatório de Avaliação Nacional das Mudanças Climáticas é “dar o estado da arte do conhecimento científico, olhando para dentro do Brasil”. O documento, diz ele, aponta a gravidade potencial do problema, sempre lembrando, porém, que nada é totalmente determinístico nessa área, há várias possibilidades. “A ciência, no fundo, trabalha com a idéia da evolução permanente. Nunca estabelece uma verdade definitiva. Ainda mais numa área como o clima”.

O professor lembra que em um aspecto todos os estudos globais apontam na mesma direção: o aumento da temperatura – embora haja divergências quanto aos valores. As incertezas se tornam maiores quando se tentam analisar os padrões de chuva. A regionalização dos estudos, como é o caso do trabalho brasileiro – que parte dos modelos globais e os aplica ao nível regional – é uma contribuição importante, diz Pinguelli.

 

 Veja mais informações sobre o estudo produzido pelo PBMC.