Por: Profº Márcio D'Agostosem comentários

O transporte responde mundialmente pelo consumo de mais de 50% dos derivados de petróleo. No Brasil, no ano de 2009, 87% das viagens realizadas por modos coletivos dependeram dos ônibus movidos a óleo diesel de petróleo, responsáveis pela emissão de 27,8 milhões de toneladas de CO2. Visando minimizar os impactos ambientais e ampliar a segurança energética da nação, o país avança na busca por novas alternativas energéticas e tecnológicas aplicadas aos sistemas de propulsão de veículos rodoviários.

Para 2012, além do indispensável investimento na introdução de tecnologia que atenda aos limites de emissões de poluentes atmosféricos previstos na fase 7 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve – P7), instituído pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Proconve), existem alternativas que podem ser avaliadas dentro do contexto técnico, político, financeiro e ambiental. Entre tais alternativas, destacam-se: B20 (20% de biodiesel e 80% de óleo diesel de petróleo); AMD10 (10% de óleo diesel de cana-de-açúcar, 5% de biodiesel e 85% de óleo diesel de petróleo); GNV (gás natural veicular); DG (veículo diesel-gás) e ED95 (etanol hidratado).m dos ônibus movidos a óleo diesel de petróleo, responsáveis pela emissão de 27,8 milhões de toneladas de CO2. Visando a minimizar os impactos ambientais e ampliar a segurança energética da nação, o país avança na busca por novas alternativas energéticas e tecnológicas aplicadas aos sistemas de propulsão de veículos rodoviários.

A implantação do P7 foi responsável por benefícios ambientais significativos quanto à redução da emissão de monóxido de carbono (CO) – 28%; hidrocarbonetos (HC) – 30%; óxidos de nitrogênio (NOx) – 60%; material particulado (MP) – 80%; e redução marginal da emissão de dióxido de carbono (CO2) – 2%. Além disso, o uso de combustíveis alternativos pode contribuir com reduções adicionais de emissão.

Com pequeno abatimento adicional das emissões, o uso de AMD10 e B20 destaca-se por não necessitar investimentos adicionais ao já realizado para introdução do P7, apresentando custo operacional semelhante. No que tange aos aspectos ambientais, verifica-se que o uso de etanol apresenta a maior redução na emissão de poluentes locais (92% de CO, 50% de MP, 15% de HC e 89% de NOx) e de CO2 (100%), ao passo que o uso de GNV apresenta menor redução (1%) na emissão de CO2.

A escolha da melhor alternativa também depende do enfoque a ser considerado pelos agentes do processo: aspectos técnicos e políticos recomendam a escolha de alternativas que impliquem baixos riscos para a sociedade, o poder concedente e os operadores. Desse modo, foram realizadas análises considerando os itens: emissão de poluentes locais, emissão de CO2, aspectos técnicos e aspectos políticos em função do custo operacional/km.capacidade do veículo.  Em consulta a especialistas que atuam na Coppe/UFRJ, Poli/UFRJ, SPTrans, Cenpes-Petrobras, SEA, ANP, Fetranspor e Ministério das Cidades, foi possível avaliar que:

  • no momento atual, uso de B20 representa uma das melhores opções sob os aspectos considerados;
  • embora apresentem os maiores benefícios ambientais, as alternativas que propõem o uso de GNV e ED95 não foram bem avaliadas pelos especialistas;
  • o uso de DG deve ser considerado com cuidado, por se posicionar em situação limítrofe para a opção menos adequada na maioria das comparações apresentadas;
  • contemplando a relação custo operacional x emissões de CO, HC, NOx e MP, não se encontram alternativas tecnológicas que apresentem baixo custo operacional e elevada redução de emissão desses poluentes, se comparado ao que já foi possível obter com a introdução do P7.

* Artigo feito em parceria com a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor). 

** Cristiane Duarte Ribeiro de Souza e Suellem Deodoro Silva, doutorandas do Programa de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, Arthur Prado Barboza e Maria Lívia Real de Almeida, alunos de graduação da Escola de Engenharia da UFRJ, são coautores desse artigo.

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