A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Instituto Global para Tecnologias Verdes e Emprego vão fazer um levantamento dos empregos verdes no Brasil. A informação é do coordenador dos Programas de Trabalho Decente e Empregos Verdes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Paulo Sergio Muçouçah, que participou nesta sexta-feira, 22, do seminário “Mudança climática e desenvolvimento sustentável – Alternativas para uma transição justa”, promovido  pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FMBC), nesta sexta-feira (22), na Rio+20, no estande da Coppe/UFRJ, no Parque dos Atletas.

O conceito de emprego verde alia o trabalho decente aos esforços para uma economia de baixo carbono.

“Vale registrar que o conceito de empregos verdes é anterior ao de economia verde, nos estudos das Nações Unidas. Também é importante ressaltar que, ao contrário do que os críticos diziam, o esverdeamento da economia tem criado mais empregos. Esse pode ser o caminho para inclusão social. No Brasil, há uma tendência de crescimento de trabalho na produção de energia renovável”, exemplificou Muçouçah.

O debate foi promovido em parceria com a OIT, a Confederação Sindical Internacional (CSI) e a Confederação Sindical das Américas (CSA) e discutiu temas como seguridade social e alternativas de desenvolvimento. O mediador foi o professor Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ.

 

Criado em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro e contando com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o novo instituto, com sede no Parque Tecnológico da Ilha do Fundão, vai integrar ações e atividades desenvolvidas na Coppe/UFRJ voltados para o desenvolvimento sustentável e inclusão social.

O secretário de Políticas Econômicas e Desenvolvimento Sustentável da CSA, Rafael Freire, que também esteve presente ao encontro, disse que os debates na Rio+20 o fizeram lembrar da discussão dos sindicalistas sobre o uso do amianto, nos anos 80.

 

“Naquela altura, como agora, era preciso dizer ao trabalhador que corria risco de contaminação qual era a alternativa àquele emprego. Enquanto em alguns painéis da Rio+20, a economia verde aparece como solução, na Cúpula dos Povos, isso é um palavrão. Não se pode pintar apenas o modelo econômico de verde. É preciso acabar com a desigualdade”, disse o sindicalista.

Durante o dia também foi realizado um encontro promovido pelo Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico, onde foi feito um balanço das atividades nos últimos cinco anos. O consultor Philip Hauser destacou a relevância da energia para o desenvolvimento sustentável, principalmente nos países em desenvolvimento. Já o coordenador do Fórum, Marcelo Moraes, falou da importância dos contatos feitos na Rio+20 e de eventos paralelos, como o lançamento do Relatório de Sustentabilidade da Eletrobras, nessa quinta-feira. “Tem sido uma experiência rica. Para o futuro, temos muitos projetos e o nosso desejo é realizar parcerias com a Coppe/UFRJ”, disse Moraes.