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A energia que vem da terra Álcool de 2ª geração
Usina-piloto no Fundão testa tecnologias para produção de novo biocombustível

Estimativas indicam que é possível dobrar a produção brasileira de etanol sem aumentar a atual área plantada – e, portanto, sem competir com a produção de alimentos e sem desmatar florestas para abrir novas fronteiras agrícolas. O caminho para isso, diz a professora Elba Bon, do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é o aproveitamento de resíduos da agroindústria da cana-de-açúcar e também do milho e do trigo, por meio de uma tecnologia nascente baseada na hidrólise enzimática da celulose contida nesses resíduos.

O Laboratório Bioetanol, moderna instalação de processamento de biomassa que será inaugurada em breve no campus da UFRJ, está iniciando testes em escala semipiloto de tecnologias brasileiras para todas as etapas de produção do etanol 2G, o chamado álcool de segunda geração ou bioetanol.

O empreendimento, fruto de uma parceria entre a Coppe e o Instituto de Química, com a participação de uma grande rede de instituições e pesquisa brasileiras e japonesas, é financiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e apoiado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).

O Brasil produz cerca de 30 bilhões de litros de etanol por ano e vive a desconfortável situação de ser, ao mesmo tempo, o maior produtor do mundo e incapaz de atender ao seu próprio mercado. Produzido com tecnologia convencional, que aproveita apenas um terço da energia contida na planta, o chamado álcool de primeira geração é insuficiente para dar conta da crescente demanda interna e externa.

Uma contribuição fundamental para reverter essa situação virá do álcool 2G produzido a partir da biomassa dos resíduos da agroindústria. Na própria produção de cana-de-açúcar está a melhor perspectiva: a energia não convertida em etanol pelo processo tradicional está no bagaço (resíduo da extração do caldo de cana) e na palha (que costuma ser queimada na colheita manual da cana). A forma mais eficiente de aproveitá-los é utilizar enzimas para fazer a hidrólise, ou seja, para “quebrar” as moléculas de celulose e extrair a glicose que, depois de fermentada, se converte em álcool.

“O potencial econômico dessa tecnologia é muito grande, pois o Brasil produz anualmente mais de 400 milhões de toneladas de resíduos de cana-de-açúcar”, lembra a professora Elba.

O primeiro e grande passo para a produção de bioetanol no país foi dado em 2007, quando o grupo que ela comanda no Laboratório de Tecnologia Enzimática (Enzitec), do Instituto de Química da UFRJ, conseguiu produzir uma mistura enzimática tão eficiente para fazer a hidrólise quanto as enzimas comercializadas pelo único fabricante mundial, uma empresa dinamarquesa. O alto custo das enzimas importadas é o gargalo para deslanchar a produção industrial de etanol 2G.

No Laboratório Bioetanol, a produção das enzimas e as demais etapas de produção do álcool de segunda geração serão desenvolvidas e testadas, visando a uma tecnologia robusta e sustentável. Uma preocupação é manter a sintonia com a atual tecnologia do etanol 1G. Outro ponto-chave da sustentabilidade do processo é a produção das enzimas in loco. Ou seja, serão produzidas nas próprias usinas de álcool, local de disponibilidade do bagaço e da palha. Assim, será evitado o transporte por longas distâncias.

O Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais (Ivig), da Coppe, fará a análise do ciclo de vida do novo processo. Um dos objetivos é identificar possíveis impactos ambientais de todas as etapas da produção do etanol 2G, incluindo a produção descentralizada das enzimas.

Outra contribuição da Coppe é a tecnologia de membranas que será empregada em diferentes etapas de separação e concentração dos biomateriais envolvidos no processo. Os sistemas de membranas serão fornecidos pela PAM-Membranas Seletivas, empresa que nasceu no Laboratório de Processos de Separação com Membranas e Polímeros da Coppe.

Ao desenvolver tecnologia para a produção de etanol 2G, o Brasil acrescenta uma nova e grande vantagem comparativa às que já tem: clima, solo, quatro séculos de conhecimento do cultivo da cana-de-açúcar e quatro décadas de experiência de produção e uso do álcool como combustível automotivo.

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