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PROJETOS E PESQUISAS
Resíduos e Reciclagem Plásticos sustentáveis
Nova abordagem rejeita materiais biodegradáveis e promove reaproveitamento máximo

Para haver sustentabilidade é preciso levar em conta toda a cadeia produtiva e o ciclo de vida de um produto, não apenas seu uso final. Com base nessa premissa, o professor José Carlos Pinto, do Laboratório de Modelagem, Simulação e Controle de Processos da Coppe, propõe uma ação radicalmente inovadora sobre o destino a ser dado aos materiais plásticos que usamos e descartamos.

Ele e sua equipe não buscam plásticos biodegradáveis, que consideram um desperdício de matéria-prima e energia. “O fato de um material plástico não se degradar é uma primeira grande vantagem ambiental: pode ser usado de novo, de novo e de novo”, diz José Carlos. “Custa muito dinheiro, tempo e energia ir ao fundo da terra ou do mar, retirar o petróleo, levar para a refinaria, separá-lo em diferentes compostos, para chegar a um copinho de café, que, depois de usado por alguns segundos, descartamos e esperamos que se degrade. É uma visão muito estreita da cadeia desse material”, critica o professor.

Em seu laboratório, o desafio é, ao contrário, aumentar o ciclo de vida dos plásticos, reaproveitando-os como matérias-primas para novos e diferentes produtos, por meio do uso de tecnologias avançadas. Fazendo uma nova forma de reciclagem, a reciclagem química, os pesquisadores da Coppe estão desenvolvendo tecnologias cujo objetivo é reincorporar os plásticos descartados na cadeia econômica, em estágios cada vez mais precoces de sua fabricação nas indústrias petroquímicas, de modo que possam ser utilizados para finalidades até muito diferentes da inicial.

A partir da extração do petróleo, a produção de plásticos passa por uma série de etapas nos complexos petroquímicos, em que cada indústria promove as misturas que vão conformando as diferentes propriedades de cada tipo de plástico, como resistência, flexibilidade, ductilidade, de acordo com o uso final que terá. Os copos de café, por exemplo, podem ser feitos de poliestireno de alto impacto, uma mistura de materiais que lhes dá propriedades como a resistência à temperatura e ao rasgo. Da mesma forma, uma mistura de polietileno, o material das sacolas de supermercado, com polipropileno resulta num material completamente diferente, apropriado, por exemplo, para um para-choque de automóvel.

Na reciclagem convencional, mecânica, o plástico descartado é processado e reutilizado para finalidades muito próximas das iniciais, porque suas propriedades e funções permanecem as mesmas. Já na reciclagem química, o material pode sofrer as misturas e manipulações a que as indústrias petroquímicas submetem as matérias-primas virgens. Aumentam, assim, as oportunidades de diferentes utilizações.

Diversas teses e pedidos de patentes já foram produzidos na Coppe, envolvendo copos descartáveis e outras peças à base de poliestireno. As tecnologias em desenvolvimento, a maioria relacionada a inovações nos processos de suspensão e emulsão, utilizam uma técnica chamada de mistura in situ. Ao invés de misturar mecanicamente o poliestireno com o polimetacrilato de metila, por exemplo, a técnica consiste em fazer um plástico na presença de outro: colocar no reator o polimetacrilato de metila e dissolvê-lo na matéria-prima do poliestireno, que é o estireno.

Essa técnica permite controlar de maneira muito precisa a interação dos materiais, garantindo propriedades mecânicas e de utilização superiores às da técnica convencional. Trata-se não apenas de reaproveitar materiais considerados descartáveis e jogados no lixo, mas de torná-los mais nobres, por meio de processos que os tornam tecnologicamente mais sofisticados que os originais e com mais possibilidades de diferentes usos. Ao tornar mais valiosos esses materiais, a tecnologia contribui para valorizar a reciclagem e reduzir a quantidade de resíduos descartados no meio ambiente.

 

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